"Ele está em sua segunda viagem. A primeira é o nascimento, a segunda é a morte", disse Hancock, girando no banco de seu piano para olhar o enorme retrato de Peterson pendurado sobre o palco da casa de espetáculos em Toronto.
"Então aproveite a viagem, Oscar. Desejo tudo de bom a você."
Peterson morreu em sua casa, próximo a Toronto, no dia 23 de dezembro, de falência nos rins. Ele tinha 82 anos.
Um dos músicos de jazz mais gravados da história, Peterson saiu de uma família operária em Montreal e se tornou uma das maiores influências de gerações de músicos. Entre as honrarias que recebeu estão um Grammy pelo conjunto da obra em 1997 e o International Jazz Hall of Fame Award.
Peterson foi homenageado por seu amor à vida, às pessoas e à música no show gratuito ao qual compareceram mais de 2.500 pessoas, que começaram a fazer fila 12 horas antes do início do espetáculo.
"Ele deixou o legado de um compromisso muito, muito forte para com o mundo do jazz. O que ele fez foi abrir o caminho para muitos de nós. Surgirão outros grandes artistas de jazz, mas nunca haverá outro Oscar Peterson", disse o pianista de jazz Oliver Jones, amigo e protégé de Peterson.
"Devo tudo a ele. Ele é insubstituível", disse o pianista e compositor de jazz Hancock antes de tocar uma música melancólica ao piano.
"Sou muito agradecido a Deus por ter conhecido quem admirei minha vida toda", disse o cantor e compositor Stevie Wonder numa mensagem gravada e exibida durante a cerimônia.
"O homem tocava piano tão bem que dava para ouvi-lo cantar, dançar e sentir cada uma das notas e acordes."
Nancy Wilson foi às lágrimas enquanto cantava uma música de despedida para Peterson. "Ninguém que eu amei jamais se foi", disse a cantora de jazz vencedora do Grammy. "Eles estão sempre aqui."
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