
Sem a companhia da colega Zélia Duncan e do irmão Arnaldo Baptista - mas com as participações do norte-americano Devendra Banhart e do baiano Tom Zé no próximo álbum, previsto para sair ainda este ano -, o guitarrista Sérgio Dias apresentou na noite de quinta-feira (24) a primeira música inédita dos Mutantes em mais de 30 anos. “Mutantes depois”, como o nome sugere, fala sobre essa nova fase da lendária banda formada nos anos 60 e que contava com Rita Lee nos vocais.
Com Bia Mendes - antiga backing vocal que acompanha o grupo desde 1991 - e Fábio Recco nos vocais, a banda tocou a nova canção, além de clássicos dos Mutantes – “Uma pessoa só”, “Tecnicolor” e “Baby” - para convidados no Salão Nobre do Teatro Municipal, em São Paulo.
Completam a formação Dinho Leme (bateria), Simone Soul (percussão), Henrique Peters (teclados, flauta doce e vocais), Vitor Trida (teclados, flautas, viola, cello e vocal) e Vinícius Junqueira (baixo). O público poderá conferir as novidades na apresentação da Virada Cultural, neste domingo (27), às 3h, no palco da Avenida São João, no Centro.
Todos os integrantes estavam de preto, e Sérgio Dias, de cartola e óculos escuros, aproveitou para tocar a sua nova guitarra, feita especialmente para o retorno. Repleta de efeitos psicodélicos, ruídos e sons de risadas, “Mutantes depois”, disponível para download na internet, lembra a sonoridade do auge do grupo, com espaço para teclados viajantes, linhas de baixo melódicas inspiradas no rock inglês dos anos 60 e uma atmosfera festiva.
“Oh ma babe aonde você vai / agora que a onda tropical já se foi / você é a semente que o mundo nos deu / você é a semente do mundo”, diz a letra. “Oh ma babe venha para mim / com beijos muito loucos e abraços sem fim / eles disseram que eu enlouqueci / na balada do louco da noite”.
“Essa letra, antes de tudo, é uma tomada de posição nossa”, acrescentou o guitarrista. “Um dia a gente vai passar a tocha pra vocês. Agora vocês que se virem, essa é a nossa encrenca. Nós precisamos de música nova, senão não temos razão de existir. Precisamos fazer algo que acreditamos ser o futuro. Todo esse tesão é o que move a raça humana”.
Sérgio Dias reforçou ainda que, apesar das controvérsias, “as portas estão abertas para Rita Lee e Arnaldo”. “Eu penso que tudo o que pode dar certo dará, é minha lei de Murphy ao contrário. Arnaldo é como esse Teatro Municipal para mim. Quando vi o palco onde minha mãe tocou tantas vezes fiquei emocionado. Minha relação com ele é algo que transcende o motivo pelo qual ele deixou os Mutantes”.
Colocar a música para download gratuito, segundo o músico, “foi uma atitude de gratidão”. “A internet é uma ferramenta maravilhosa. Essa música é um presente, para mostrar para onde estamos indo e qual é o nosso horizonte. Agora, se o disco será lançado dessa forma cabe ao departamento de marketing decidir. Sem o vil metal não temos como comprar instrumentos. Precisamos disso pra viver”.
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